Adeus! Nenhuma palavra pode ser
tão plena no vazio que representa. Quando dizemos Adeus, afirmamos que o
presente se despede de um foi preenchido, mas vazio de futuro. Adeus não é um
“até já”, se o Adeus fosse uma pontuação seria um ponto final. Ninguém que diz
Adeus querendo dizê-lo se permite às reticências…
O Adeus pode contudo ser
transformador. Esvaziar o futuro face ao que foi, não significa impossibilitar
uma continuidade diferente. Mas o Diferente consuma o ponto final do hoje.
Adeus! Já não voltamos, mas podemos continuar – contudo diferentes.
O Adeus veste-se pois de várias
cores: de um cinzento de incerteza (não sobre o Adeus, mas sobre o que virá
depois); Do vermelho da paixão, pois depois de um Adeus, vem a procura de um
bem-vindo que nos preencha; Do azul da tranquilidade, pois decidimos não nos sujeitar
ao que foi a partir de hoje; Do verde da esperança, de que o vazio do Adeus se
transforme sempre em algo melhor. O Adeus não é por isso incolor, nem inerte…
Adeus! Não sou nem somos mais…
Adeus – continuamos vivos.
Adeus.
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