sábado, 25 de junho de 2016

Ensaio sobre o Adeus



Adeus! Nenhuma palavra pode ser tão plena no vazio que representa. Quando dizemos Adeus, afirmamos que o presente se despede de um foi preenchido, mas vazio de futuro. Adeus não é um “até já”, se o Adeus fosse uma pontuação seria um ponto final. Ninguém que diz Adeus querendo dizê-lo se permite às reticências…



O Adeus pode contudo ser transformador. Esvaziar o futuro face ao que foi, não significa impossibilitar uma continuidade diferente. Mas o Diferente consuma o ponto final do hoje. Adeus! Já não voltamos, mas podemos continuar – contudo diferentes.



O Adeus veste-se pois de várias cores: de um cinzento de incerteza (não sobre o Adeus, mas sobre o que virá depois); Do vermelho da paixão, pois depois de um Adeus, vem a procura de um bem-vindo que nos preencha; Do azul da tranquilidade, pois decidimos não nos sujeitar ao que foi a partir de hoje; Do verde da esperança, de que o vazio do Adeus se transforme sempre em algo melhor. O Adeus não é por isso incolor, nem inerte…



Adeus! Não sou nem somos mais…

Adeus – continuamos vivos.

Adeus.


                                                                                                      Pedro Mello ©, 2015

 

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