sábado, 25 de junho de 2016

Ensaio sobre o Tudo e o Nada



Eis-nos aqui, numa condição oscilante entre os pólos Nada e Tudo.


O Nada. Será o Nada vazio? Como definimos o Nada? Estagnados? De olhos cerrados… De respiração suspensa… Seremos Nada? Não podemos. Seremos alguém, de olhos cerrados… De respiração suspensa, à sua procura, à procura do Nada. Na verdade à procura de nada, pois no escuro do vazio é o Nada que nos preenche em pensamentos, vazios ou não. O Nada é pois uma utopia trágica, de um vazio que procuramos, ou para justificar o não termos tudo, ou para fugirmos da procura de nada. 


O Tudo. Esse espaço que preenchemos com os olhos quando olhamos as nossas mãos abertas. Podemos sentir o Tudo com o coração, aquando daquele sorriso, aquando daquele abraço, ou aquando da brisa que preenche os momentâneos nadas, quando nos apercebemos da beleza da sépia do Outono. O Tudo é uma quimera. Poderemos ter Tanto do nosso Tudo, mas Tudo não é tanto e a confusão leva ao Nada, que afinal se torna num Tudo vazio. Esquecer o Tanto é destruir o Tudo…


Se pensarmos bem… Com pensamentos preenchidos. Se deixarmos de suster a respiração à procura de nada e do mais que o tanto, percebemos. Percebemos que da trágica utopia do Nada até à quimera do Tudo há um espaço: chama-se Vida! 


                                                                                                 Pedro Mello, 2015©

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