Eis-nos aqui, numa condição
oscilante entre os pólos Nada e Tudo.
O Nada. Será o Nada vazio? Como
definimos o Nada? Estagnados? De olhos cerrados… De respiração suspensa…
Seremos Nada? Não podemos. Seremos alguém, de olhos cerrados… De respiração
suspensa, à sua procura, à procura do Nada. Na verdade à procura de nada, pois
no escuro do vazio é o Nada que nos preenche em pensamentos, vazios ou não. O
Nada é pois uma utopia trágica, de um vazio que procuramos, ou para justificar
o não termos tudo, ou para fugirmos da procura de nada.
O Tudo. Esse espaço que preenchemos
com os olhos quando olhamos as nossas mãos abertas. Podemos sentir o Tudo com o
coração, aquando daquele sorriso, aquando daquele abraço, ou aquando da brisa
que preenche os momentâneos nadas, quando nos apercebemos da beleza da sépia do
Outono. O Tudo é uma quimera. Poderemos ter Tanto do nosso Tudo, mas Tudo não é
tanto e a confusão leva ao Nada, que afinal se torna num Tudo vazio. Esquecer o
Tanto é destruir o Tudo…
Se pensarmos bem… Com pensamentos
preenchidos. Se deixarmos de suster a respiração à procura de nada e do mais
que o tanto, percebemos. Percebemos que da trágica utopia do Nada até à quimera
do Tudo há um espaço: chama-se Vida!

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